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A Educação é a Chave

Há algum tempo tive o privilégio de, por motivos profissionais, conhecer um alemão, engenheiro de profissão, já reformado, que agora ocupa o seu tempo como consultor de projectos para a indústria automóvel e a quem por conveniência vou chamar Mr S. Acontece que um dia, após o trabalho, enquanto se esperava pelo jantar, quis a sorte, nos juntássemos ambos com o meu amigo Nitin, indiano, há muito a trabalhar para multinacionais alemãs e, claro, a conversa acabou por ir dar à pergunta chave: Mr S., qual o segredo do sucesso dos alemães?

Mr S. hesitou um pouco na resposta mas acabou por reconhecer que, se se pretender encontrar a principal causa do sucesso dos alemães ela será, na sua opinião, a aposta na educação.

Desde então tenho meditado com frequência nestas palavras – a aposta clara na educação e no que deve ser essa aposta. Em primeiro lugar é necessário desfazer a confusão entre dois conceitos: educação e instrução.

Instrução, enquanto acumular de conhecimento e competências é o que se espera que a escola transmita, querendo depois a sociedade que os jovens, através do confronto com a prática, utilizem de forma construtiva esses conhecimentos, contribuindo para o seu crescimento pessoal e profissional e para o desenvolvimento das organizações onde estão integrados.

Quer-se assim que as aprendizagens potenciem nos jovens a aquisição de fortes competências teóricas, mas também a capacidade de as “ligarem” à prática, garantindo que os conhecimentos adquiridos são úteis e relevantes para as empresas. Este é um dos grandes desafios do nosso sistema de ensino – equilibrar os conhecimentos teóricos de base, com a aprendizagem de competências e capacidades que permitam a intervenção e rápida integração em ambiente de trabalho. Enquanto exemplo de sucesso deste modelo o ensino dual e muitas experiências de ensino profissional devem ser posta em relevo, mas também as escolas secundárias, politécnicos e universidades têm de se aproximar deste objectivo.

Educação, conceito muito mais amplo, é tarefa que não se esgota na escola mas que deve constituir um desígnio de toda a sociedade na preparação das gerações futuras. A responsabilidade nesta área, partilhada essencialmente entre a escola e família, é a de dotar os jovens com as ferramentas para enfrentarem as responsabilidades que vão encontrar no futuro, construindo cidadãos responsáveis e com capacidade de intervenção. Espera-se assim o desenvolvimento de valores base como a cultura do mérito, baseado no trabalho e no esforço individual, mas também a capacidade de trabalhar e partilhar em equipa; a obsessão no cumprimento das obrigações e dos prazos; o rigor na obtenção dos resultados e a capacidade de adiamento da recompensa (2).

Para alcançar estes objectivos de educação a família tem de assumir as suas inalienáveis responsabilidades, mas cabe à escola realizar uma profunda alteração, deixando de parte as actuais práticas de redução à normalidade para passar a saber lidar com a diferença, potenciando e não destruindo as capacidades e competências individuais. Considerando os critérios curiosidade, criatividade e pensamento divergente na capacidade de resolver problemas, aos 5 anos, 98% das crianças podem ser caracterizadas como tendo traços de genialidade, enquanto que 10 anos mais tarde esses traços já só são encontrados em 10% dos jovens (3); mais dados não houvesse, este é suficiente para ilustrar de forma dramática o que queremos dizer com o conceito de redução à normalidade.

A sociedade e as empresas precisam que a escola saiba adaptar-se à velocidade com que actualmente o conhecimento muda e deixe de ser centro de tédio e aborrecimento, em que a educação é essencialmente encarada como uma actividade administrativa de transmissão de informação e de adestramento e não como um espaço de crescimento emocional e integral em que se privilegia a compreensão. Em conclusão: vamos ensinar às nossas crianças COMO pensar e não o que pensar.


2) Tough, Paul; Educar para o Futuro,2012
3) www.reevo.org

O presente texto foi inicialmente publicado no “Notícias da Airo”

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