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Caranguejos portugueses

Conta-se a história de que num qualquer mercado de peixe havia uma banca de mariscos onde se alinhavam diversos cestos cheios de caranguejos. Um desses cestos destacava-se dos restantes porque, sendo o único que não tinha tampa, nele os bichos estavam sossegadamente no fundo, nenhum deles tentando trepar para fugir. Um cliente mais curioso indaga a vendedora do porquê de tão estranho comportamento, ao que ela responde tratar-se de caranguejos portugueses – sempre que um tenta subir logo os outros o puxam para baixo.

Qualquer português reconhecerá nesta fábula um cunho do espírito nacional e afirmará no seu íntimo que “somos mesmo assim”. No entanto olhando para a nossa história não faltam exemplos da capacidade empreendedora dos portugueses. Colectivamente, no passado, fomos capazes de extraordinários feitos de empreendedorismo e muito provavelmente voltaremos a sê-lo no futuro. O nosso problema, enquanto povo, não está na capacidade de empreender mas na de gerir os resultados. No reinado de D. João III, enquanto chegavam barcos carregados das riquezas do Oriente morria-se de fome nas ruas de Lisboa. O ouro do Brasil permitiu construir em 18 anos o Convento de Mafra, mas para a construção do Aqueduto das Águas Livres, que demorou mais de 100 anos, foi necessário lançar um imposto especial sobre a população da capital.

Empreendedorismo é um tema da moda, depois da Índia e do Brasil, falhado o Império, acordados do sonho do El Dorado europeu, parece que o nosso futuro estará (aparentemente) nesta nova abordagem. Mas a preocupação – demonstra-o a nossa história – não deveria estar centrada no aplauso às novas iniciativas mas sim no desenvolvimento de um novo espírito colectivo que propicie a sua manutenção e crescimento. Desenvolver uma cultura de rigor, centrada no planeamento e na procura da eficiência com a obsessão pela produtividade e valorização do mérito deverá passar a ser o nosso desígnio colectivo.


O presente texto foi inicialmente publicado no “Notícias da Airo”

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