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O Síndrome do Pastel de Nata

De todas as histórias que recordo da minha infância, João e o Pé de Feijão é uma que muitas vezes me vem à memória. Trata-se daquela história em que um pobre rapaz planta um feijão que cresce até às nuvens. O rapaz corajosamente sobe o feijoeiro encontra o castelo de um gigante e, após as costumeiras peripécias, fica com o tesouro. Claro que a história acaba com o João a viver rico e feliz para sempre e o gigante morto.

Apesar do claro elogio à coragem do protagonista, a moral desta história não deixa de ser duvidosa porque no fundo o João roubou e matou o gigante e portanto parece que afinal o crime, neste caso, compensou.

Se recordo aqui esta história é porque entre os bens que o João trouxe do castelo do gigante estava a Galinha dos Ovos de Ouro. Ao contrário da história do Pé de Feijão a moral da Galinha dos Ovos de Ouro é indiscutivelmente actual. Não me lembro como é que a galinha saiu da posse do João e foi parar a casa de uma avarenta e ávida personagem. Acontece que essa personagem, não contente por ter um ovo de ouro por dia, resolve matar a galinha para ficar, de uma vez, na posse do tesouro que ela traria, mas a galinha, depois de esventrada, era igual a qualquer outra e assim ficou o homem sem a galinha e sem os ovos.

Matar a Galinha dos Ovos de Ouro é infelizmente uma prática demasiado comum em muitas das nossas empresas, quando pelas mais diversas razões não se cuida de forma consistente da manutenção da qualidade dos produtos ou dos serviços prestados. Destrói-se assim junto dos mercados um capital precioso porque se quis ganhar tudo de uma vez ou porque se entendeu que a fama que precede o produto será suficiente para compensar a diminuição da qualidade com um incremento do lucro imediato, não se percebendo que ao gorar as expectativas do cliente se hipotecam as vendas futuras.

A motivação para escrever estas linhas surgiu-me um destes dias ao comer um pastel de nata. Creio que o pastel de nata é um dos melhores exemplos de como matar a Galinha dos Ovos de Ouro; bolo famoso que quando bom é expecional, mas que a maior parte das vezes é desesperantemente de fraca qualidade.

Esta estranha constatação leva-me a definir a síndrome do pastel de nata: sabemos fazer bem mas ficamos “satisfeitinhos” com os mínimos. Leva-me também a expressar o desejo de que os responsáveis das nossas empresas se libertem deste síndrome e adquiram a obsessão pela qualidade, pelo planeamento e pela eficiência, passando a ter como objectivo a excelência do seu negócio e apostem no profissionalismo, não hesitando, quando necessário, em procurar o apoio de consultores.


O presente texto foi inicialmente publicado no “Notícias da Airo”